As crianças e os riscos do verão

O verão é a estação favorita das crianças, mas o aumento da frequência em praias e piscinas traz riscos que vão além da insolação. É o período de pico para infecções de pele e olhos, exigindo atenção rigorosa de mães, pais e responsáveis para evitar que o lazer típico desta época do ano termine no pronto-socorro.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a criança apresenta uma vulnerabilidade biológica maior do que o adulto. Como a barreira cutânea infantil é mais fina e o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento, o contato com águas contaminadas ou ambientes coletivos úmidos facilita a entrada de agentes patogênicos.

Veja alguns efeitos colaterais do verão: micose, conjuntivite e infecções de pele são doenças comuns nas crianças após piscina e praia

Vale lembrar dicas para evitar que os pequenos sofram com problemas rotineiros nessa época do ano.
A prevenção deve começar pela higiene básica.
“O banho de água doce imediato após a saída do mar ou da piscina é essencial para remover resíduos e microrganismos. Além disso, a hidratação oral constante é o que mantém a mucosa e a pele resistentes a invasores”.
Complementando o cuidado clínico, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta para o perigo das micoses e infecções bacterianas, como o impetigo. O fungo causador da micose encontra no calor e na umidade o ambiente ideal para se reproduzir. Por isso, crianças não devem permanecer com roupas de banho molhadas por longos períodos.
“A orientação é secar meticulosamente as dobras do corpo — como axilas, virilhas e entre os dedos dos pés — e nunca compartilhar toalhas ou objetos de uso pessoal. O uso de chinelos em áreas comuns de clubes e vestiários também é uma barreira indispensável contra verrugas plantares e frieiras”.
No campo da visão, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta um crescimento significativo nos casos de conjuntivite durante os meses de calor. Tanto o excesso de cloro nas piscinas quanto a poluição em certas praias podem causar a conjuntivite química ou infecciosa. Os sintomas incluem vermelhidão, lacrimejamento e sensação de “areia” nos olhos.
“A recomendação é evitar que a criança coce os olhos com as mãos sujas e, sempre que possível, utilizar óculos de natação com vedação adequada para minimizar o contato direto do globo ocular com agentes irritantes”.
A prevenção é o melhor caminho.
“O lazer seguro depende de hábitos simples, mas constantes. O segredo para um verão sem intercorrências é o equilíbrio: aproveitar a água, mas garantir a secagem correta e a proteção das mucosas. A automedicação, especialmente com colírios ou pomadas com corticóides sem prescrição, pode agravar quadros infecciosos e deve ser rigorosamente evitada”.
Por Antonio Carlos Turner

Médico pediatra e Coordenador da Rede de Clínicas Total Kids
CRM 52-46851-4
RQE 49635.

